sexta-feira, junho 03, 2016

.Limiar.

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A chuva que cai insistente, embora não molhe o corpo, encharca o coração. Hoje é um daqueles dias em que a saudade – do que nunca se teve – borbulha, transborda e alaga o vazio que há tanto se instala em mim.

É um dia daqueles em que se caminha em cima de uma tênue linha, que divide limiarmente a esperança  e o desacreditar. Um daqueles dias em que, mesmo que a chuva cesse, a alma permanece a transbordar.

O vento sopra, e o corpo pende para o lado errado, ainda que não saiba qual é o certo, afinal. Uma gota de chuva penetra a janela e escorre na parede, como que solidária às lágrimas que se negam a cair.

A alma ondeia, prevendo a enchente que está por vir. Há tempos não se via tamanho temporal.

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sábado, janeiro 30, 2016

.(DES)INFORMAÇÃO.



Em tempos onde a informação e a desinformação se disseminam infinitamente mais rápido que os mosquitos Aedes Aegypti,  (dos quais os ovos podem levar até “longos” dez dias para chegar à forma adulta, e, ainda assim, se reproduzem descontroladamente), é de se admirar que as pessoas ainda tenham a capacidade de disseminar conteúdo sem checar o básico: data, procedência e veracidade da informação. 


Aliás, digo mais: é de se admirar que as pessoas tenham a coragem de repassar matérias, sem ao menos efetivamente LER o que estas contém.

Parece absurdo? Ilógico? Irreal? Pois bem... Um texto qualquer, com um título “atraente” (e um botão compartilhar acessível), e PIMBA!...lá se vai uma dezena, (que logo vira centena, milhar e milhão de pessoas) a ler (o título, apenas, é claro) e, na sequência, expor toda a sua “indignação” e “revolta” pelo assunto, (obviamente comentando, curtindo e compartilhando tal texto), sem sequer saber se o conteúdo é real, atual ou mesmo se a tal matéria contempla, na essência, exatamente a informação referente ao que lhe intitula.


Quando menos se espera, a foto de uma avenida de Dubai é massivamente compartilhada como sendo de João Pessoa; o tubarão que atacou no Havaí foi visto na praia de Tambaú; o descarrilhamento do trem foi ataque terrorista; a barragem de Camará se rompeu outra vez; o barro de Mariana chegou no Cabo Branco...e a única informação verdadeira, é que um número cada vez maior de pessoas está compartilhando desinformação.


O mesmo ocorre com a produção e compartilhamento de conteúdo sem revisão ortográfica e gramatical. Erros crassos se disseminam amplamente, ratificando a ignorância e pontuando a ausência de uma educação de qualidade.

Não sabe? Pesquisa! A informação (assim como a desinformação) é vasta e facilmente acessível, basta querer buscar.

sexta-feira, julho 10, 2015

.aos borbotões.

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Lembro daquela conversa com uma vontade incontrolável de chorar. Era Sexta-feira Santa. Uma frase atirada na minha cara foi suficiente para me tirar da mesa. Aquela verdade crua era difícil demais de engolir. 

Bati a porta. Tranquei-me naquele meu mundo palpável, enquanto o meu eu há muito já se trancava aqui mesmo, dentro de mim. Silenciosa e cinza, aquela tristeza já estava ali. Amarga e dolorida, aquela verdade já estava ali. Intocada. Adormecida. Sua respiração quente e úmida não me deixava esquecer.

Desaguei o quando pude. E a fonte não secava.

Uma batida na porta, e eu retornei aos tempos de menina, quando era ele quem vinha me acalentar. O pedido de desculpas veio acompanhado daquela lembrança, de que ele me enxerga, só de me ver. 

Inúmeras perguntas foram feitas, mas a simplicidade - e a realidade - das respostas travavam a minha voz. A única coisa que eu conseguia despejar eram as lágrimas, que vinham aos borbotões. O único som que eu emitia, era o dos soluços causados pelo desaguar. 

Foi difícil demais me deparar com as perguntas, e encarar as respostas que sambavam dentro de mim. Era duro demais tê-lo ali como um espelho, me fazendo olhar para tudo aquilo que mais tento esconder.

Não dele. Nem necessariamente de ninguém. Acima de tudo, de mim mesma.

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segunda-feira, março 16, 2015

.do cinza que a gente vê.

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Embora o sol agora adentre — sem filtros — a casa,
embora o amarelo agora insista em sobressair,
é só o cinza que a gente vê.

Cada galho e cada folha que agora descansam
 — murchos, tristes — no chão da calçada,
guardam consigo um pedaço de nós.

Por um dia inteiro ela chorou. 

E, por dias e dias a fio choramos nós,
sentindo latejar, em nosso próprio peito,
a dor que ela — sozinha — sentiu.

Sentimos nós,
e sentem todas aquelas que — assim como nós — faziam,
do cinza da sombra, sua própria cor.
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domingo, outubro 05, 2014

.marejando.

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Não me julgue.
Tampouco infle seu peito já inchado desse orgulho bobo que carrega em si.

Não é por você. 

As lágrimas que agora brotam, sem coragem de cair, não lamentam a sua covardia.
Talvez tenham lamentado, há tempos atrás. Não hoje. 

De você eu já sabia. A história iria se repetir, era fato certo e coração resguardado.
Sua presença era mera distração pra uma solidão que se iniciou há tempos.

Apenas uma gota num oceano que mareja.
Que enche e esvazia, segundo a atenção que a ele se dá. 

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segunda-feira, setembro 22, 2014

.continuamente.

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Os passarinhos continuam cantando, a despeito da dor que pulsa aqui dentro de mim. O sol ainda nasce e se põe, num intenso espetáculo de cor que contrasta de forma quase imoral com o negro do luto que carrego em meu peito. As pessoas sorriem. Gargalham. O mundo segue em seu esplendor diário, de cores, flores e risos. Nada fica suspenso pelo momento em que, me sentindo um tanto morta, vivo. A vida continua, enquanto os dias aqui se repetem. Vazios ou cheios de coisas que não quero pra mim. Permaneço submersa por uma inércia que não me permite mudar. Quando penso em tomar impulso, o chão falta, ou as forças se esvaem. Fico perdida num daqueles sonhos em que não se consegue correr. A vida escapa por entre os dias. As horas se passam, os anos se vão. E nada muda.


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quinta-feira, dezembro 26, 2013

.Pouco a Pouco.

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Pouco a pouco vou tentando libertar-me de você. Pouco a pouco, vou arrancando cada marca e cada suspiro, apagando cada lembrança e sufocando cada saudade. E quando o pensamento insiste em te buscar, inundo a cabeça de problemas e me forço a esquecer que você é mais um. Levo meus olhos pra longe, e se te encontro, finjo que não te vi. Te ver ainda dói. Mas pouco a pouco a distância e o tempo vão empoeirando as vontades. E eu vou perdendo aqueles trejeitos adquiridos, que tanto me lembravam você.

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segunda-feira, dezembro 02, 2013

.Não Quero Saber.

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Não, por favor não me venha falar sobre ele. Não me conte que o viu, nem dê margem para que eu anseie saber dos pormenores. Não me faça perguntar dos sorrisos, não me deixe saber dos olhares. Saber ainda dói.

Não pergunte como estou. Nem eu mesma sei dizer. Não questione como estamos. Não estamos. Talvez sequer tenhamos estado, em algum outro lugar que não na minha vontade de que estivéssemos.

Acabou. E talvez tenha acabado já naquele primeiro olhar cheio de promessas. Talvez tenha acabado já naquela primeira despedida. Talvez tenha acabado antes mesmo de começar.

Acabou pra ele e acabou pra mim, embora ainda não tenha acabado em mim. Acabou lá fora, embora aqui dentro continue tudo igual.

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quinta-feira, setembro 19, 2013

.[in]certezas.

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Não sobrou qualquer certeza. 

Aliás, de mim, olhando hoje, muito pouco sobrou. 

Me surpreendo ao olhar e perceber que as características que me faziam 'eu', hoje descansam – em algum lugar – sob uma grossa camada de pó. 

Não sei ao certo em quais esquinas da vida me perdi. Não sei se faz um mês, um ano, ou dez. Só sei que pouco a pouco vou desconhecendo tudo aquilo que sabia de mim. 

Me pergunto em que recanto deixei a garra e onde foi que perdi a esperança. Procuro em volta e percebo que tampouco sei onde larguei a fé. 

Abro as gavetas em busca daquelas certezas todas que carregava em mim. 

Mais pó. 

No lugar onde guardava a persistência e a coragem, algumas teias de aranha dividem espaço com uns poucos sonhos mofados de tanto esperar.

Há quem diga que é fase e vai passar. E eu mesma repito isso pra mim. Um mantra diário em que tento acreditar. 

Mas a única certeza que me resta é que, daquele velho eu – de que eu tanto gostava – quase nada foi o que sobrou. 

E esse pouco, não sei ao certo se ainda pode me fazer feliz.

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sexta-feira, setembro 13, 2013

.Vem e vão. Vem, em vão.

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E você se vai. E os dias perdem a cor. E as noites perdem o brilho. E eu perco as vontades. 

Me perco num labirinto de saudades. E me encontro no vazio.

E a cabeça gira. E o mundo roda rápido demais. 

Quantas vezes será preciso recomeçar? Quantas chances ainda tenho para aprender? 

As respostas vem e vão, as certezas vem em vão. A verdade é que a verdade só era verdadeira do lado de cá.

Não por falta de aviso. Tampouco por excesso de acaso.

O caso é que nesse caso a história já tinha final. E meio. E começo. Final. 

Será que valia mesmo a pena assistir e encenar, outra vez?

Eu precisava tentar.

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quinta-feira, agosto 01, 2013

.Fuga.

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Fuga é quando você me olha nos olhos e alcança a alma, um só instante antes de tua boca me negar. Fuga é quando eu percebo teu corpo me querendo, e tua mente te mandando se afastar. Fuga é quando – extasiado e resfolegante – te entregas e me abraça, pra logo no dia seguinte fingir que não me quer. Fuga é essa ausência programada, que se faz presente a cada vez que percebes estar próximo demais. Fuga é esse carinho apressado, que cessas antes que tua alma insista em manter. Fuga é esse gostar renegado, do qual entrevejo uma ponta, a cada vez que te permites sentir. Fuga é o que te mantém distante, quando bem sabes que toda essa fugacidade é puro medo de amar.


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segunda-feira, junho 17, 2013

.Limite.

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Uma bobagem me faz esbravejar à mesa, uma pergunta me faz precisar respirar fundo, um telefonema me incita a vontade de gritar, um e-mail me traz imediata dor-de-barriga. Sinto vontade de chorar. A comida desce sem que eu sequer sinta o sabor. Só a bebida e o chocolate são consumidos com prazer. Mais vontade de chorar. Um nó se forma na garganta e reprimo essa correnteza que ameaça vir. Preciso manter a calma. Ainda há muito por vir.

Sinto que meu pequeno castelo de cartas está prestes a ruir. A verdade é que não estou conseguindo lidar. A única vontade mais intensa que a de chorar, é a de sair correndo pra nunca mais voltar. Penso em fim. Penso em desistência. Penso em sumir para além do que se pode alcançar.

Estou com medo.

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sábado, junho 15, 2013

.Me liga. Ou não promete.

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Liga a aniversariante marcando a farra. Liga o telemarketing oferecendo cartão de crédito. Liga o vizinho pedindo farinha. Liga a ONG pedindo ajuda. Liga o sobrinho pedindo favor. Liga o pai, testando telefone. Liga o petshop avisando que o cachorro – que você nem tem – está tosado. Liga alguém procurando uma tal Zefinha. Liga uma criança passando trote. Liga a tia, pra falar com a mãe. Liga o político fazendo campanha. Liga a Presidente negando a inflação. Liga o Papa oferecendo bênção. Liga até o Cazuza cantando música. 


Só não me liga você, que foi o único que o prometeu fazer.


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terça-feira, maio 28, 2013

.Reflexos.

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Ao chegar em casa, olhou-se no espelho e demorou a reconhecer aquela imagem que se refletia. O cansaço e a melancolia lhe impregnavam o rosto, escondendo toda a beleza que até outro dia tivera. 

Inevitavelmente deu-se conta de que não era de se espantar que (o moço bonito sentado ao seu lado no avião) mal a tivesse olhado. Estava um horror.

Cabelos desarrumados, olheiras deslocadas, pele maltratada, sorriso ausente. Era absolutamente perceptível que aquela atmosfera densa – de tristeza quase palpável – ainda se via presente bem ali, no fundo daquele olhar.

Cada lágrima engolida, cada choro reprimido e cada força fingida se solidificou. 

A dor era latente e a saudade, sem qualquer sombra de dúvida, seria eterna.

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quinta-feira, maio 09, 2013

.Seca.

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Já não sou capaz de perceber se endureci, ou se apenas deixei que morresse o amor. 

A notícia atirada na minha cara faz ondear a cabeça, mas não atinge o coração. Uma carapaça enfim parece se sobrepor ao músculo tantas vezes ferido e maltratado. 

Demoro a absorver, mas surpreendo-me reagindo como frente fria ao que, pouco tempo atrás, teria facilmente sido tempestade. Não há desaguar. Não há sequer sofrer. 

A racionalidade impera pela primeira vez. Sinto um certo medo do desconhecido. Terei eu me deixado para sempre secar ou devo preparar-me para um iminente temporal?


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quinta-feira, abril 25, 2013

.Pedras.

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"– Você pensa pequeno." 

Pequenas frases, gigantescos estragos.
Mais uma das pedras atiradas pra derrubar o que já se equilibra com dificuldade, na tentativa diária de manter-se de pé.


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segunda-feira, março 04, 2013

.Perigo.

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Aquelas mãos grandes e firmes encontram minhas costas e, automaticamente, intensos arrepios vão surgindo a cada novo toque. Uma luz amarelo-alaranjada-pulsante se acende em minha mente: é melhor ter cuidado.

[...]

As conversas vão fluindo e não demora pra que o assunto seja a massagem feita naquela noite. E as promessas de outras mais. Ainda melhores. Mãos, óleos e peles são citados. Desejos e vontades apenas sugeridos. Aquela luz que outrora piscava, agora se acende ininterruptamente. E parece ainda mais viva que antes.

[...]

Ignoro os sinais de alerta e sigo em frente. É difícil largar algo que faz tanto bem. Mesmo quando a gente sabe que está fadado a, posteriormente, fazer muito mal.

[...]

É chegado o dia de se reencontrarem. Libélulas, borboletas, beija-flores, passarinhos e aviões parecem sobrevoar todo o meu estômago. Uma luz vermelha se acende. Sinais sonoros são claramente ouvidos em minha cabeça. É hora de correr.

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terça-feira, fevereiro 19, 2013

.Sonhos.

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"Eu tive um sonho ruim
e acordei chorando.
Por isso eu te liguei. 
Será que você ainda
 pensa em mim?"


Um sonho difícil se infiltra no meio da noite e o sono logo se faz agitado pela angústia dolorida do cenário. As saudades apuradas se mesclam a um intenso medo de perder. Repentinamente percebo que sonho e realidade já não se podem distinguir. Dói. Acordo em agonia. Sinto medo. 

Os olhos se abrem, o corpo se reposiciona. Uma breve prece de proteção é interrompida pelo instantâneo e sonolento adormecer. O pesadelo continua do exato ponto em que parou. E o mal estar logo leva à morte. E eu mal consigo me mexer. Apenas as lágrimas se movem. Somente a dor lateja.

O som do despertador me acorda de sobressalto e percebo que tudo não passou de um sonho ruim. Tudo menos esse aperto no peito, que insiste em não acordar. Tudo, exceto essa tristeza latente que insiste em me entorpecer.

Te procuro. Nem sinal. Preciso saber de você. 


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sábado, fevereiro 16, 2013

.medo.

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E a tua ausência se faz presença em mim. E os pesadelos se encarregam de me mostrar o medo que tenho, de te perder pra sempre. E o medo de esse 'pra sempre' ser, dessa vez, eterno.



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sábado, janeiro 26, 2013

Ainda não leu???? Corre lá!

Hoje sou eu quem posta como convidada do queridíssimo Cláudio Marques, lá na Confraria dos Trouxas! Ainda não leu?? Corre lá!!! 

Confraria dos Trouxas: Na mira da razão: Vestiu o vestido mais justo e colocou seu batom mais vermelho. Subiu no salto 15 e borrifou – em locais estratégicos – o perfume mais sexy...

terça-feira, agosto 28, 2012

.As chaves.




" E quem te deu as chaves do meu sonho?" Pergunto, indignada.

" Você mesma. Não se lembra?"  Responde uma vozinha sarcástica na minha cabeça.

Procuro nos bolsos, revisto a bolsa. Nada.

" Não te dei chave nenhuma, nem muito menos te concedi o direito de entrar assim, sem bater." Respondo eu, alterada.


" Deu sim. Você mesma me deu as chaves, ao pensar demais, fantasiar demais. Você escancarou a porta, ao se importar demais e sonhar a todo o tempo de olhos abertos." A voz responde, calma, porém acusadoramente.

Silencio, culpada, ciente. Sinto-me ruborizar. 
Baixo os olhos, tento inutilmente aquietar o coração. 

Não adianta discutir. É verdade. Fui eu. 



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sexta-feira, agosto 24, 2012

.Assim seja.

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Que a maturidade persista, e a tranquilidade perdure. Que a ansiedade adormeça, e as borboletas repousem. Que a razão domine, e a serenidade se instale. Que a pressa se esvaia, e a paciência me tome. Que a expectativa se dissolva, e a decepção passe longe. Que os passos sejam lentos, mas o caminho seja certo. Que a caminhada seja longa, mas a chegada, feliz. Que a presença me alegre, e a ausência não maltrate. Que o sentimento seja puro, e o querer, eterno. 


E que, ao te encontrar, eu não me perca de mim. Não dessa vez.

Amém.



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sábado, agosto 04, 2012

.Como num romance.

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Era bonita a forma como se entregavam. Não com a carne somente mas, principalmente, com a alma e o coração

A verdade é que, no exato momento em que se encontraram, entenderam que jamais se perderiam. A certeza veio com o passar dos anos... e o permanecer dos vínculos. Havia algo que os ligava de forma incomum. Havia desde o primeiro instante uma inexplicada cumplicidade, um reconhecimento irracional. Com o tempo, perceberam que conheciam melhor ao outro que a si mesmos. Impossível negar. Impraticável fugir. Não importava o quanto os olhos se distanciassem e se distanciavam : a cada vez que se cruzavam aqueles olhares, o mundo parava novamente de girar. E as pessoas de falar. E as cores de existir. Exatamente como daquela primeira vez: e havia apenas os dois.



"Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom"
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terça-feira, julho 24, 2012

.Tudo Igual.

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Um abraço. Apertado e sincero como sempre foi. Parece que nem mesmo um dia se passou. Os olhos inicialmente evitam se olhar. Há medo do que, ali, se pode ver. Há medo do que, dali, pode brotar. E brotam. Faíscas. Fagulhas. Fogo. É inevitável. Os olhares se encontram, e o incêndio logo se inicia. Não há como negar o sentimento partilhado. A sensação é de que todos percebem. Sinto-me despida no meio da multidão. Mas não consigo evitar aqueles olhos que, há tanto, eu não via. Novamente a sensação de que nem um só dia se passou. Tudo igual. Como sempre. A mesma cumplicidade. O mesmo carinho. A mesma compreensão silenciosa. Os mesmos risos, com prantos diferentes. Os papéis se invertem, mas o complemento é exatamente igual. Encaixes. De ideias. De sentires. De existências. De delírios. De cores. De sabores. Tudo igual. Mesmo quando, aparentemente, diferente.


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quinta-feira, julho 12, 2012

.No Meu Tempo.


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O fato é que ainda nem cheguei aos trinta, e já posso dizer que sou do tempo em que 'ser precoce' era beijar aos treze. 

Sou da época em que um beijo era acontecimento, e selava compromisso. 

Sou do tempo das descobertas vagarosas, e dos arrepios tardios.

A sensação que tenho, é que acabaram-se as formalidades, e, com elas, dissolveram-se também os compromissos. 

Hoje é tudo tão veloz... Conheceu-beijou-transou. 
É tudo tão fugaz... Hoje é tudo, amanhã nunca foi.

Sem falsos moralismos, sem crenças infundadas, posso dizer que acabou o encantamento. Acabou a magia, a profundidade. Acabou, arrisco a dizer, a beleza.

Superficiais. É assim que se fazem, hoje, as relações. 
E eu simplesmente não me encaixo nesse 'novo padrão'.


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